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Compost Barn: aumenta a produção de leite, proporciona mais conforto e produz adubos para lavouras diversas

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No dia 16 de Outubro último, o especialista no assunto Adriano de Siqueira Seddon, fez uma palestra na sede do Fundepec Goiás em Goiânia. O evento fez parte de uma iniciativa do Sindileite Goiás denominada Dia Técnico e contou com a participação de cerca de 130 pessoas entre produtores, industriais, técnicos e outros convidados.

Adriano é médico veterinário, formado pela Unesp de Botucatu – SP, e diretor da Alcance Rural, empresa especializada em assistência técnica a produtores de leite em vários estados. Tem curso de MDA – Gestão Estratégica para Empresas Produtoras de Leite. Ele foi um dos responsáveis que trouxeram para o Brasil o sistema Compost Barn, implantado nos Estados Unidos em l.986 e adotado aqui somente a partir de 2011.

Segundo Adriano, este sistema permite vários benefícios. Para os animais, redução do stress, mais conforto, melhora no metabolismo, melhor conservação dos cascos, maior limpeza corporal, ausência de parasitas nocivos inclusive o carrapato, devido a ação da amônia derivada da urina dos animais. Para os produtores, os benefícios são: aumento da produção de leite, produção de adubos para lavouras, redução de custos em relação a outros sistemas como Free Stall e Loose House além de ter animais longevos o que aumenta também o rebanho etc.

            VISITA TÉCNICA

A palestra de Adriano foi no período da manhã. Os convidados almoçaram na sede do Fundepec e à tarde, visitaram uma fazenda no Município de Hidrolândia a 38 quilômetros de Goiânia. Trata-se da propriedade Paraíso do Jersey do criador Paulo Eduardo Lima. Lá, os visitantes viram in loco o sistema Compost Barn.

Segundo Paulo, ele pesquisou bastante alguns sistema para melhorar a produção e proporcionar conforto aos animais. Acabou optando pelo Compost Barn. Procurou Adriano Seddon que deu toda assistência e a iniciativa vem funcionando com bons resultados.

A propriedade tem 110 hectares assim distribuídos: 23 de área de reserva, 50 para agricultura, 36 para a pecuária e 01 hectare como área privada. O rebanho atual é de 462 animais da raça Jersey sendo 63 fêmeas até 12 meses, 53 fêmeas até 24 meses e 91 até 36 meses e 166 acima de 36 meses. Com relação aos machos, são 38 até 12 meses, 50 até 24 e apenas 01 acima de 36 meses.

Quanto ao índice ponderal de 2015, os dados são os seguintes: animais ordenhados 167, média vaca litro/dia 17.30, (2.889 litros/dia); média por lactação/ano 4.853; intervalo entre partos 12.55 meses; leite hectare/ano 29.292 litros; custo de produção R$ 0,98/lts. Metas a serem atingidas: Animais ordenhados 225; média vaca/dia 20 litros (4.500 litros/dia), média lactação 6.000/litros; intervalo de partos 12 meses e leite hectare/ano 45.000/litros.

Durante a visita, Paulo Eduardo falou de outros detalhes em relação ao seu projeto. Explicou que com o Compost Barn, sua produção se estabilizou o que não acontecia antes. No que se refere a outros valores, a propriedade produz 350 toneladas/ano de adubos o que dá para aplicar em 10% da área de lavouras principalmente de milho para silos. Isso reduziu em 25% os custos da aplicação desse insumo nas lavouras. O custo total do projeto ficou em 190 mil ou R$ 3.600,00 por cada vaca. Porém, os custos estão sendo sanados de forma segura e constante.

O Compost Barn é revirado de duas a três vezes ao dia dependendo da umidade e do clima. Usa-se um trator com ganchos e arado. A parte superior é seca com o tempo e a ventilação, a parte inferior entra em processo de fermentação transformando a mistura em um rico adubo. Este piso ou cama deve ter no máximo 55 centímetros de altura e pode ficar no mesmo lugar com o correto manejo, até 8 meses.

No caso da Fazenda Paraíso do Jersey, a matéria prima é a palha de arroz que é mais barata. Segundo Paulo Eduardo, qualquer matéria que contenha carbono pode ser utilizada como casca de soja, café e serragem que é mais cara, porém mais eficiente ainda.

Vale ressaltar que no Compost Barn deve existir nas instalações, uma separação por mureta do piso com a área de alimentação. Nessa, instala-se também os bebedouros. Ao lado, deve ter também uma sala de resfriamento corporal dos animais. Eles são molhados no sistema aéreo por aspersão por um minuto. Em seguida, são ligados os ventiladores por 5 minutos. Todo o processo de resfriamento dura 36 minutos.

Não só da Fazenda Paraíso do Jersey mas os dados obtidos em outras propriedades, melhoram muito a qualidade de vida dos animais inclusive as crias nascem com melhor desempenho em termos de produção segundo o especialista Adriano Seddon que acompanhou também na fazenda os visitantes, explicando detalhadamente todo o sistema. Segundo Adriano, o ideal para os animais em lactação é uma temperatura ambiente de 18 graus. Todo o sistema de manejo proporciona até 8 lactações, ao contrário de outros com 900 e 950 dias ou seja, no máximo três lactações.

Outra vantagem é que as novilhas recém-paridas podem ficar no mesmo ambiente das vacas mais velhas. Em outros sistemas isso não é facilitado devido a implantação e tamanhos de baias diferentes em tamanhos.

Paulo Eduardo:"Antes, minha produção oscilava muito. Agora isso não acontece"
Paulo Eduardo:”Antes, minha produção oscilava muito. Agora isso não acontece”
Animais sem stress no Compost Barn
Animais sem stress no Compost Barn
O sistema permite animais limpos inclusive sem carrapatos
O sistema permite animais limpos inclusive sem carrapatos
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Sala de resfriamento corporal com água e ventiladores
Adriano Seddon, especialista que ajuda implantar o sistema no Brasil
Adriano Seddon, especialista que ajuda implantar o sistema no Brasil