Tese de doutorado sobre Trypanosoma patrocinada pelo Fundepec-Goiás, gerou uma série de pesquisas
4 de março de 2019 Share

Tese de doutorado sobre Trypanosoma patrocinada pelo Fundepec-Goiás, gerou uma série de pesquisas

Esse trabalho foi defendido por Thiago Souza Azeredo Bastos, formado em medicina veterinária pela Universidade Federal de Goiás. Sua tese de doutorado começou a ser elaborada em 2015 e rendeu pesquisas diversas em 42 fazendas em Goiás e com a ajuda de cerca de 52 estagiários e outros colaboradores.

O título do trabalho é:Aspectos Clínico-Epidemiológicos e Tratamento do Trypanosoma Vivax Bovino no Estado de Goiás. Foi um trabalho de fôlego que gerou 9 projetos de pesquisas; 4 artigos que serão publicados; 18 resumos em anais de congressos inclusive um internacional em Dublin (Irlanda); 12 eventos nacionais em Londrina, Brasília, Belém e Jaboticabal; 4 resumos expandidos; 3 mini cursos; artigos na imprensa além de 11 palestras em Jataí, Urutaí, Ipameri, Rubiataba, Goianésia, Trindade em Goiás e na cidade mineira de Unaí.

THIAGO BASTOS QUANDO DEFENDIA SUA TESE

Thiago defendeu sua tese diante de uma severa banca na última sexta-feira (1º de março) na Escola de Veterinária da UFG em Goiânia, com a presença ainda de dezenas de pessoas entre alunos, mestres, familiares e outros convidados entre eles, dois representantes do Fundo para o Desenvolvimento da Pecuária em Goiás, os médicos veterinários Alfredo Luiz Correia, conselheiro da entidade e Uacir Bernardes, diretor executivo.

O Fundepec Goiás teve interesse em patrocinar essa tese de doutorado uma vez que o assunto Trypanosoma, é muito sério em vários estados da Federação, principalmente junto aos produtores de leite. Como o Fundepec é um Fundo Emergencial Indenizatório, sua principal meta é proteger o produtor rural de sofrer prejuízos com doenças graves em seu rebanho e a Trypanossomíase é uma delas.

O INSETO MUTUCA (E), É UM TRANSMISSOR COMPROVADO DO TRYPANOSOMA

Essa doença é provocada por Trypanosoma que é um gênero de protozoário hemoflagelado que conta com diversas espécies distribuídas em todo o mundo. A tese de Thiago Bastos focou na espécie T. vivax que ataca bovinos principalmente de leite causando sérios prejuízos inclusive a morte de animais que têm todo o seu sistema linfático afetado, morrendo por definhamento.

Vale ressaltar – segundo Thiago, – que esse protozoário pode não atacar somente no sistema sanguíneo. Isso porque, depois de medicados, muitos animais tiveram seu sangue sem qualquer vestígio deste parasito e posteriormente, voltaram a ter a doença. Pelas pesquisas, Thiago entende que o protozoário pode estar escondido em peles, globo ocular e nos tecidos adiposos (gorduras)

UM GRANDE PÚBLICO PRESTIGIOU O EVENTO

Segundo as pesquisas de Thiago, o rebanho bovino leiteiro é o mais afetado devido ao manejo constante de agulhas para aplicação da Ocitocina, que uma vez inoculada, faz o animal “descer” todo seu leite para a ordenha. Acontece que nessas aplicações, um animal afetado pode transmitir então a doença para todo o resto do rebanho pois é sabido que os produtores dificilmente desinfetam as seringas. Segundo as pesquisas inseridas na tese de doutorado, 22 desinfetantes foram testados. Apenas o álcool 70% e o iodo 0,5% se mostraram eficientes. Thiago mostrou que a agulha infectada é o principal transmissor porque afetou o gado girolando leiteiro. As moscas de certa forma ficam por enquanto descartadas (com exceção da mutuca) porque o gado de corte que está sempre em contato com esse tipo de inseto, não foi afetado.

Uacir Bernardes (primeiro plano) e Alfredo Luiz Correia, representaram o Fundepec-Goiás.

Para estudar com profundidade a ação de insetos no avanço dessa doença, a Embrapa Gado de Corte de Mato Grosso do Sul também foi inserida nessa parceria com a UFG. Até o momento não foram divulgados dados oficiais sobre esse foco da pesquisa.

A disseminação da doença se processa também na venda de animais infectados para outros produtores com ou sem dolo. Esses animais podem ser abatidos em frigoríficos para graxaria se detectada a doença no primeiro estágio quando ele não perdeu muito peso.

Banca examinadora: Lorena L. Ferreira (e), Oswaldo J. da Silva, Welber D. Zanetti, Felippe Krawczak e Gustavo Felipelli.

Segundo as pesquisas coordenadas do Thiago Bastos, os municípios goianos onde mais se detectou a doença foram Morrinhos, Pontalina, Campo Alegre de Goiás e Urutaí. As pesquisas apontaram que o índice de mortalidade em animais acometidos dessa doença é muito alto. Foram observados prejuízos também com a redução da produção de leite em até 39% de todo o seu potencial e apenas os medicamentos cujo princípio ativo é o   isometamidium mostraram resultas positivos com 100% de paralização da doença nos primeiros seis meses. Thiago não precisou se depois desse período, os animais afetados voltaram a ter a doença porque o tempo ainda não venceu ou seja, o que ele tem de dados está baseado no tempo da pesquisa para a sua tese.

Felippe Krawczak : “O TRABALHO DE THIAGO FOCOU TAMBÉM RESULTADOS PRÁTICOS.”

A conclusão portanto, é no sentido de que o produtor não negligencie no tocante ao manejo do rebanho; não confundir a Trypanossomíase com a Tristezinha Parasitária; procurar um médico veterinário; não aplicar medicamentos sem orientação; não comprar gado sem procedência e na dúvida, desinfetar as agulhas de forma rigorosa para a aplicação da Ocitocina em todos os animais.

Banca Examinadora

A banca examinadora em relação ao trabalho de Thiago Bastos, foi composta pelos professores doutores: Welber Daniel Zanetti Lopes, UFG, seu orientador; Lorena Lopes Ferreira – FUG; Gustavo Felipelli – Unirp; Felippe da Silva Krawczak – UFG e Oswaldo José da Silva Neto-UIESO. Thiago, defendeu sua tese de doutorado durante 50 minutos com início às 14 horas e em seguida, começaram os questionamentos da banca examinadora que só foram concluídos às 18 horas, com a aprovação mediante algumas observações de estética e de conteúdos para serem inseridas no trabalho.

WELBER DANIEL ZANETTI, ORIENTADOR

Um dos professores Felippe da Silva Krawczak, elogiou o trabalho dizendo “que existe a ciência básica e a aplicada.”  Ele Felippe, prefere a aplicada porque já oferece   soluções imediatas para os problemas. É o que mostra o trabalho de Thiago Bastos: foi a campo detectou problemas e buscou soluções.

 

Fotos e texto: Imprensa Fundepec – Goiás

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